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Emilly Gonçalves
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Por que procurar uma nutricionista ao usar as canetas emagrecedoras?

As canetas (Ozempic, Mounjaro, Wegovy) reduzem o apetite — mas quem garante que você perca gordura, e não músculo, sem carências e sem reganho, é o acompanhamento nutricional. Entenda o papel da nutricionista.

Vale muito procurar uma nutricionista ao usar as canetas emagrecedoras. A caneta reduz o apetite, mas ela não ensina o seu corpo a se alimentar — e é aí que entra o acompanhamento. É ele que garante que você perca gordura, e não músculo, que não desenvolva carências nutricionais e, principalmente, que o resultado se sustente depois que o tratamento terminar. A prescrição da caneta é do médico; construir a alimentação que faz tudo isso dar certo é o trabalho da nutricionista.

O que a caneta faz — e o que ela não faz

As chamadas canetas emagrecedoras (Ozempic e Wegovy, à base de semaglutida; Mounjaro, à base de tirzepatida) imitam um hormônio do intestino, o GLP-1. Elas retardam o esvaziamento do estômago, prolongam a saciedade e reduzem a fome. Na prática, você come menos — quase sem esforço.

O ponto que quase ninguém explica é que comer menos não é o mesmo que comer bem. A caneta controla o apetite, mas não decide de onde virão as calorias que faltam, nem se você está recebendo proteína e nutrientes suficientes. Sem estratégia, o emagrecimento acontece — só que da forma errada. Por isso a orientação é clara: a caneta é uma ferramenta dentro de um plano, com avaliação clínica, exames e acompanhamento de longo prazo, e não uma solução isolada.

Risco nº 1: perder músculo junto com a gordura

Quando a ingestão de comida cai muito e rápido, o corpo não perde só gordura — ele também consome massa muscular. Uma metanálise que reuniu 22 estudos clínicos apontou que cerca de 25% de todo o peso perdido com esses medicamentos pode vir da massa magra. Ou seja: a cada 4 kg na balança, até 1 kg pode ser de músculo.

E músculo não é só estética. Ele é um marcador de saúde: sustenta o metabolismo, a força e a sua capacidade de manter o peso lá na frente. Perder músculo hoje deixa o reganho mais fácil amanhã.

É aqui que o acompanhamento faz a maior diferença. As duas estratégias que protegem a massa magra são:

  • Proteína suficiente — em quantidade bem acima do habitual e ajustada para o seu caso. Com o apetite reduzido pela caneta, encaixar isso em porções menores exige planejamento.
  • Exercício de força (treino resistido), que dá ao corpo o estímulo para preservar o músculo.

Estudos mostram que o resultado é muito melhor quando a molécula vem acompanhada de orientação nutricional e treino — o contexto do tratamento pesa tanto quanto o medicamento em si.

Comer pouco não pode virar comer mal: efeitos colaterais e carências

No começo do uso, e a cada aumento de dose, são comuns náusea, sensação de estômago cheio, refluxo e constipação. Alguns ajustes na alimentação aliviam bastante esses sintomas: refeições menores e mais frequentes, menos frituras e gordura, boa hidratação e fibras para o intestino.

Além do desconforto, existe um risco mais silencioso. Comendo pouco, muita gente acaba ficando abaixo do ideal em vitaminas e minerais importantes. O problema é que os sinais dessas carências (cansaço, fraqueza, cãibras e queda de cabelo) se confundem com "efeitos da caneta", e passam despercebidos.

A queda de cabelo, aliás, virou uma das queixas mais frequentes de quem usa esses medicamentos — e costuma estar ligada a carências nutricionais que surgem quando o emagrecimento é acelerado. Com exames periódicos e acompanhamento, elas são identificadas cedo e corrigidas com ajuste da alimentação e, quando necessário, suplementação individualizada — nada de fórmula genérica.

O maior teste vem depois: manter o peso

Talvez o argumento mais importante: a caneta funciona enquanto você a usa. Ao interromper, o apetite tende a voltar — e o peso também. Pesquisas mostram um reganho médio na faixa de quase 1 kg por mês após a suspensão, e pacientes que não construíram novos hábitos durante o tratamento chegam a recuperar boa parte do peso perdido no ano seguinte.

Pense na caneta como uma janela de oportunidade: um período em que a fome está sob controle e fica mais fácil aprender a comer de outro jeito. Quem aproveita essa janela para fazer reeducação alimentar de verdade sai do tratamento com o resultado consolidado. Quem só espera a balança baixar, sem mudar a relação com a comida, tende a ver o peso voltar. O acompanhamento nutricional existe exatamente para transformar a perda temporária em mudança duradoura.

O que é da nutricionista e o que é do médico

Os dois papéis são diferentes e se complementam — não competem:

  • Do médico (endocrinologista ou nutrólogo): avaliar se a caneta é indicada para você, prescrever, definir e ajustar a dose e monitorar o tratamento clinicamente. Desde as novas regras da Anvisa, esses medicamentos só são vendidos com receita médica.
  • Da nutricionista: montar o plano alimentar que preserva a massa muscular, garantir proteína e nutrientes mesmo com o apetite reduzido, manejar os efeitos colaterais pela alimentação, acompanhar exames, orientar suplementação quando preciso e preparar a manutenção do peso.

Ninguém deve usar a caneta por conta própria, nem trocar o médico pela nutricionista (ou vice-versa). O melhor resultado vem do trabalho conjunto — e sem terrorismo: a ideia não é demonizar o medicamento nem prometer milagre, e sim fazer o tratamento ser seguro, eficaz e sustentável.

Como funciona o acompanhamento comigo

No consultório, o acompanhamento parte dos seus exames, da sua rotina e dos seus objetivos para montar um plano realista — com proteína adequada, alimentos que você tolera bem e estratégias para os dias difíceis. Ao longo do tratamento, ajustamos o plano conforme a dose muda e o corpo responde, sempre em diálogo com o seu médico. O atendimento é presencial em Indaial e Blumenau (SC) e online para todo o Brasil.

Se você já usa ou pretende usar uma caneta emagrecedora, agende uma conversa pelo WhatsApp — vamos construir juntos um plano para você emagrecer com saúde e manter o resultado.

Perguntas frequentes

Preciso de nutricionista se já tenho endocrinologista? Sim. Os papéis são diferentes: o médico cuida da prescrição e da parte clínica; a nutricionista cuida da alimentação que preserva músculo, evita carências e sustenta o peso. Juntos, o resultado é melhor.

A nutricionista prescreve a caneta? Não. A prescrição e o ajuste de dose são do médico. A nutricionista atua no acompanhamento alimentar durante e depois do tratamento.

Vou perder músculo usando a caneta? Há esse risco quando a perda de peso é rápida e a alimentação não é adequada. Proteína suficiente e exercício de força reduzem bastante essa perda.

Por que estou caindo cabelo? A queda costuma estar ligada a carências nutricionais que surgem no emagrecimento acelerado. Com exames e acompanhamento, dá para prevenir e corrigir.

Vou reganhar o peso quando parar? É um risco real se você não construir novos hábitos. O acompanhamento usa o período de tratamento para consolidar a reeducação alimentar e facilitar a manutenção.

Dá para fazer o acompanhamento online? Sim. Atendo presencialmente em Indaial e Blumenau e online para todo o Brasil.


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Fontes: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN).

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação nutricional individualizada. Cada organismo é único — consulte um nutricionista antes de mudar sua alimentação.

Quer um plano feito para o seu corpo?

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